Tênis de Futsal
Consultor On-Line
Notícias
Artigos
História
Clubes
Profissionais
Campeonatos
Local dos Jogos
Classificação
Artilharia
Galeria de Fotos
Loja Virtual
Links
Newsletter
Curiosidades
Entrevistas
 
 
 
19/10/2009
Perfil antropométrico de atletas de futsal feminino de alto nível competitivo conforme a função tática desempenhada

Artigo original

Perfil antropométrico de atletas de futsal feminino de alto nível competitivo conforme a função tática desempenhada no jogo


Rev. Bras. Cine. Des. Hum. 2005;7(1):30-34
ISSN 1415-8426

Recebido em 19/11/04
Revisado em 26/11/04
Aprovado em 07/12/04

Autores: Marcos Roberto Queiroga1, Sandra Aires Ferreira2, Marcelo Romanzini3

RESUMO

O objetivo do presente estudo foi de determinar o perfil antropométrico de jogadoras profissionais de futsal de acordo com a função tática desempenhada em quadra. Participaram do estudo 112 jogadoras de futsal pertencentes às dez equipes de sete estados que disputaram a X Taça Brasil de Clubes.

As variáveis de massa corporal, estatura, espessuras de dobras cutâneas, perímetros corporais e diâmetros ósseos foram coletadas com a finalidade de determinar o somatotipo e de estabelecer o perfil antropométrico das atletas. Os dados foram apresentados mediante estatística descritiva e a inferência foi realizada por meio de análise de variância para medidas repetidas (ANOVA) seguida do teste Post Hoc de Scheffé (p<0,05). Os resultados demonstraram que em relação às variáveis antropométricas, as goleiras de futsal feminino de alto nível competitivo possuíram maior massa corporal quando comparadas às alas e as pivôs, devido, sobretudo, a um maior acúmulo de gordura corporal, ao passo que as atletas de linha apresentaram características semelhantes para as respectivas variáveis.

O somatotipo médio das atletas em quaisquer das funções táticas analisadas foi classificado como mesoendomorfo. Sendo assim, os resultados do presente estudo permitem concluir que, ou a função tática desempenhada em jogo não parece ser um fator decisivo para causar modificações morfológicas nestas atletas, ou que o treinamento destas atletas não está sendo realizado dentro do princípio da especificidade para cada posição. Além disso, os resultados do presente estudo podem contribuir para futuras comparações e adequação de treinamento físico.

Palavras-chave: antropometria, composição corporal, pesos e medidas corporais, futebol, feminino.

1 Universidade Estadual do Centro Oeste - UNICENTRO-PR
1-2 Grupo de Estudo e Pesquisa em Cineantropometria para Saúde e Desempenho Atlético - UNICENTRO
3 Grupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício - GEPEMENE 

INTRODUÇÃO

A busca incessante por melhores resultados esportivos tem seu foco voltado não somente para um setor do conhecimento, mas sim para diversos. Em geral, é possível destacar o papel da nutrição e da fisiologia do exercício que, além de outras linhas, investigam a ação dos nutrientes, dos ergogênicos e dos hormônios no aumento da força, velocidade e da resistência. Entre outras áreas de conhecimento que fornecem subsídios para melhorar o desempenho dos atletas, o treinamento esportivo tem lugar de destaque.

O planejamento e organização das cargas (intensidade, freqüência, duração) bem como os períodos de recuperação são alguns dos elementos do treinamento que devem contribuir para o aperfeiçoamento das capacidades físicas.

Dessa forma, o desempenho esportivo deve ser encarado como o produto da interação dos aspectos morfológico (estrutura), funcionalmotor, psicológico, genético e ambiental1. Atendendo em parte estes aspectos, a cineantropometria se destaca como uma importante área de conhecimento aplicada ao esporte, pois oferece métodos para quantificação do tamanho, da forma, das proporções, da maturação biológica e da função-motora22. 

Observa-se que a estrutura corporal segue tendência de homogeneização em grupos específicos de atletas competitivos, em relação a um perfil que se acredita como adequado ou indicado  para uma determinada atividade3. A importância em se determinar o perfil físico de esportistas reside no fato da existência de uma relação entre forma corporal e desempenho físico4.

O recurso adotado para  descrever o tipo físico apresentado pelo indivíduo é conhecido como somatotipo. O somatotipo, definido como a descrição da conformação morfológica presente, é expresso em uma série de três numerais dispostos sempre na mesma ordem, onde o primeiro componente refere-se à endomorfia, ou gordura relativa, o segundo à mesomorfia, ou desenvolvimento muscular e, o terceiro, ao componente de ectomorfia, ou linearidade específica5.

A somatotipia foi introduzida por William Sheldon em 1940, quando procurou descrever o comportamento e a personalidade humana a partir do tipo físico, sendo que, mais adiante, a proposta foi modificada e popularizada por Heath e Carter5. No Brasil, o somatotipo antropométrico passou a ser amplamente utilizado na década de 1970, em função da aplicabilidade e das informações que produzia em relação à estrutura física dos atletas, tais como a configuração morfológica dos tecidos muscular, ósseo, adiposo e suas associações com o desempenho atlético, nas variações provocadas na forma corporal decorrentes dos processos de treinamento, alimentação, crescimento e desenvolvimento, bem como a identificação da estrutura corporal de atletas campeões que, mais tarde, poderiam servir como referencial para os amadores, semiprofissionais ou como detecção de talentos.

Dessa forma, diversos estudos procuraram estabelecer as características somatotipológicas de atletas das mais variadas atividades esportivas ou associá-las ao desempenho obtido na competição6 7 8 9. É importante destacar que, em relação ao vencedor, as modalidades esportivas individuais podem fornecer apenas um perfil físico, enquanto as modalidades coletivas demonstram a estrutura média de aproximadamente doze atletas. Os esportes individuais, como no atletismo e na natação, além da classificação pela idade, também apresentam muitas divisões nos estilos ou provas, como velocistas, fundistas ou crawl, costas, respectivamente. Já em esportes coletivos, como no futebol e no basquete, as alterações se referem apenas às faixas etárias (pré-mirim, mirim, infantil etc).

Além disso, nos esportes coletivos os atletas devem desempenhar funções táticas específicas que são assumidas nos jogos. Desta forma, mesmo determinando o somatotipo médio do grupo, seria necessário identificar também a estrutura corporal dos atletas que jogam em posições conhecidas na modalidade.

Dentre os diversos esportes coletivos, um em crescente popularidade é o futsal feminino. Assim, informações a respeito das características antropométricas de atletas de elite seria particularmente importante para estabelecer comparações com as mais jovens.  Isso se justifica à medida que, tanto no futsal como em outros esportes, as características antropométricas, bem como a habilidade técnica e tática e o desempenho físico individual, são os fatores mais importantes para o sucesso da equipe.

Portanto, levando-se em consideração que são muitos os fatores que influenciam o desempenho esportivo e a lacuna existente na literatura de estudos que procuraram determinar o perfil morfológico de praticantes de futsal em integrantes da população feminina, a presente investigação tem como propósito verificar as características antropométricas e somatotipológicas de atletas de futsal feminino de alto nível competitivo de acordo com a função que exercem nos jogos (goleiras, ala, pivôs ou fixos).

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 

A população foi constituída por 112 jogadoras de futsal que participaram da fase final da X Taça Brasil de Clubes de Futsal Feminino realizada entre os dias 21 a 27 de maio de 2001, na cidade de Brasília-DF. A competição foi disputada entre 10 equipes: Sabesp, Valinhos e UniSantana (SP), Grêmio Londrinense (PR), Chimarrão (RS), São Lourenço (PE), Fortsal (CE), Itabira (MG), AJJR e AAAUDF (DF).

Anteriormente ao período de avaliações, as jogadoras foram esclarecidas em relação aos objetivos da pesquisa e aos procedimentos aos quais seriam submetidas. As dez medidas necessárias para a determinação do somatotipo (massa corporal; estatura; espessuras de dobras cutâneas (EDC) nas regiões tricipital, subescapular, supra-ilíaca e perna medial; diâmetros ósseos do úmero e do fêmur; perímetro da perna e do braço em contração) foram obtidas de acordo com as orientações de Ross e Marfell-Jones2.

Um compasso da marca Cescorf foi empregado para a mensuração das EDC, ao passo que a massa corporal foi verificada mediante a utilização de uma balança antropométrica com precisão de 100 g e a estatura por meio de um estadiômetro de madeira com escala de medida em 0,1 cm. As medidas de perimetria foram coletadas com uma fita métrica flexível do tipo Mabis e os diâmetros ósseos, com um paquímetro de metal da marca Somet. Para o cálculo da gordura corporal relativa empregou-se a equação de Siri10, a partir do emprego do modelo de regressão de 3 EDC de Jackson, Pollock e Ward11. Para tanto, além das EDC envolvidas na determinação do somatotipo, incluiu-se também as EDC abdominal (vertical) e coxa (média).

A coleta dos dados ocorreu em uma sala reservada no próprio ginásio onde foram disputados os jogos. Os horários de avaliação foram marcados para o dia de folga das equipes, permitindo assim a avaliação de duas equipes por dia, totalizando cinco dias de coleta. 

No que se refere ao tratamento estatístico das informações, utilizou-se inicialmente a estatística descritiva para agrupar os resultados em valores de média e desvio padrão. A análise de variância para medidas repetidas (ANOVA) seguida do teste Post Hoc de Scheffé foi empregada com a finalidade de comparar as variáveis antropométricas e somatotipológicas entre as funções táticas, adotando-se como nível de significância 5%.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As características gerais das atletas de acordo com a função tática desempenhada em jogo estão descritas na tabela 1. De for a geral, pode-se observar que as jogadoras de linha (alas, pivôs e fixos) demonstraram valores semelhantes nas variáveis analisadas.

Por outro lado, as goleiras demonstraram ser significantemente mais pesadas em relação às alas e as pivôs, além de possuírem um IMC estatisticamente superior do que as alas. Contudo, a maior massa corporal apresentada pelas goleiras em relação às outras jogadoras de linha é proveniente não de um maior desenvolvimento muscular, mas sim de uma maior concentração de gordura. Isto fica claro à medida que se observa uma quantidade de gordura relativa significantemente superior das goleiras em relação às alas, além de uma forte tendência de maior adiposidade nas goleiras em relação às pivôs (p=0,09).

Tabela 1. Características Antropométricas das atletas de futsal de acordo com a função tática em quadra.

Variáveis

Goleiras (19)

Ala (52)

Pivô (21)

Fixo (20)

Idade (anos)

22,1 ±3,9

20,8 ±4,8

24,5 ±7,0

22,8 ±5,6

Peso (kg)

63,9 ±8,3a

56,8 ±6,8

57,1 ±5,4 b

58,4 ±4,6

Estatura (cm)

164,5 ±6,1

161,4 ±6,9

160,5 ±5,6

161,6 ±4,7

IMC (kg/m2)

23,5 ±23a

21,8 ±1,6

22,2 ±2,0

22,4 ±1,8

Gordura Relativa (%)

26,7±4,8a

22,0 ±5,0

22,6 ±5,9

23,6 ±3,7

Nível de significância adotado p<0,05
a = goleiras alas; b = goleiras pivôs

A gordura relativa do grupo analisado foi de 23,2%. Davis e Brewer12 demonstraram que o percentual de gordura médio de 14 jogadoras de futebol de campo pertencentes à seleção inglesa foi de 21,1%. Por sua vez, Withers et al.13 verificaram uma quantidade de gordura relativa de 22% em uma equipe australiana de futebol de campo. Assim, observa-se que os valores médios são bastante próximos entre as atletas de futsal e de futebol de campo (23,2; 21,1 e 22%, respectivamente).

Uma possível explicação para um maior nível de adiposidade encontrado nas goleiras, reside no fato de que, embora as alterações nas regras permitam que as mesmas possam auxiliar as atletas fora dos domínios da área do gol, a intensidade e o número de ações motoras são visivelmente menores comparadas às outras funções táticas.

Dessa forma, a menor demanda metabólica durante as partidas, e, possivelmente na maior parte dos treinamentos, pode ter contribuído para que as goleiras demonstrassem valores superiores em relação à quantidade de gordura. A necessidade de analisar separadamente as características antropométricas de atletas de acordo com função tática desempenhada na equipe é evidente. Para Gualdi-Russo e Zaccagni14, o conhecimento de somatotipos ideais, obtidos de atletas de alto nível, pode contribuir para a seleção esportiva, distribuição de funções dentro da equipe e no planejamento de treinamento específico que leva em consideração a habilidade e o perfil físico correto do atleta.

A tabela 2 demonstra a predominância de somatotipo de acordo com as funções desempenhadas em quadra. 

Tabela 2. Características somatotipológicas das atletas de futsal de acordo com a função tática em quadra.

Variáveis

Goleiras(19)

Alas (52)

Pivôs (21)

Fixos (20)

Endomorfia

5,8 ± 1,3 a

4,6 ± 1,1

4,9 ± 1,7

5,0 ± 1,0

Mesomorfia

3,4 ± 1,0

3,0 ± 0,9

3,4 ± 1,0

3,7 ± 0,9

Ectomorfia

1,7 ± 0,8

2,2 ± 0,8

2,0 ± 1,0

2,0 ± 0,9

Nível de significância adotado p<0,05
a = goleiras ≠ alas

De acordo com os índices médios encontrados para cada componente, o somatotipo predominante das atletas foi classificado em meso-endomorfo (5,0 - 3,3 - 2,1), ou seja, o componente gordura superou o componente muscular e a linearidade. Quando analisado por função tática, observa-se uma participação significantemente maior do componente endomorfo nas goleiras comparada às alas, além de uma forte tendência de o componente mesomorfo ser maior nas atletas que atuam na posição de fixos comparadas as alas (P=0,06). Vale destacar também a predominância, em termos absolutos, do componente endomorfo sobre os demais (mesomorfo e ectomorfo) em todas as funções analisadas. A característica de endomorfia apresentada pelas goleiras  era esperada tendo em vista a elevada quantidade de gordura relativa apresentada pelas mesmas em relação às atletas que desempenham outras funções táticas em quadra.

Pelo fato das atletas demonstrarem predomínio da endomorfia em todas as posições que atuam em quadra, acredita-se que o desempenho poderia ser melhorado caso as mesmas apresentassem superioridade da mesomorfia em relação ao perfil atual. Este comentário sustenta-se na relação inversa entre gordura corporal e desempenho físico.

No caso específico do futsal, os esforços solicitados são provenientes predominantemente da velocidade, agilidade e potência muscular, presentes nas ações de deslocamentos (laterais e para trás), saídas e paradas rápidas, saltos, chutes e piques. Desta forma, o futsal se caracteriza pela realização de esforços intensos de curta duração15. Neste sentido, a dominância do componente mesomorfia ou um equilíbrio com a endomorfia ou ectomorfia auxiliaria em ganhos no desempenho físico. Isto certamente deve ser um objetivo do treinamento físico, ou seja, buscar mediante o planejamento alterar os componentes corporais das atletas com intenção de moldar uma estrutura corporal que combinará com o perfil fisiológico da modalidade.

 
 
 
  Futsal ao vivo
Confira aqui os jogos que serão destaque nas emissoras de rádios e TV do Brasil. Clique aqui...
 
  Galeria de Futsal
Aqui você encontra os títulos, história de clubes, treinadores, atletas e técnicos.
Saiba mais...

 
  Campeonatos de Futsal
Os principais campeonatos do Brasil e exterior você encontra aqui.
Tabelas completas dos jogos, resultados, goleador e classificação.
Saiba mais...
 
  Correspondente
Se você gosta do Futsal, e acompanha os jogos na sua cidade nós gostaríamos de tê-lo como nosso Correspondente.
Saiba mais...
 
  Regras de Futsal
Dimensões da quadra, bola, uniforme, súmula para download e muito mais.
Saiba mais...
 
 
 
© Copyright 2003, WBI Brasil - Todos os direitos reservados   Produzido por A2C